Casa editorial · São Paulo · desde 2022

Uma redação pequena que defende a leitura lenta.

Somos cinco pessoas em uma casa antiga em Santa Cecília. Trabalhamos com poucos textos por mês, escolhidos com cuidado, lidos a quatro mãos antes de chegar ao acervo. Esta página conta como.

Mãos escrevendo a tinta sobre papel artesanal próximo a um livro encadernado em pano
A origem

Começamos com uma carta e três leitoras pacientes.

Em março de 2022, Helena Vasconcellos enviou um boletim de quatro páginas a quarenta e dois endereços. Era um ensaio sobre Maria Firmina dos Reis e três notas de leitura. Não havia plano de negócios, não havia calendário editorial. Havia o desejo de um lugar para textos longos, lidos com tempo.

Hoje somos uma redação de cinco pessoas. Publicamos três peças por mês — nunca mais que isso — e mantemos um acervo aberto a leitores e leitoras de todo o país. Continuamos escrevendo cartas. A cadência é o ponto, não o detalhe.

Nossa sede fica em Santa Cecília, num sobrado de 1924, com escadas de madeira que rangem e janelas que dão para um jardim de jambolão. Recebemos visitas com hora marcada — gostamos de conversar pessoalmente.

Não somos uma revista digital. Somos uma biblioteca que publica devagar — e que se permite voltar a um texto cinco anos depois para revisá-lo.

— Princípio editorial nº 1

Sete princípios que nos guiam.

Estes princípios estão impressos numa folha A4 colada na parede da redação. Voltamos a eles em cada reunião editorial.

Princípio I

Tempo longo

Preferimos um texto que dure cinco anos a dez textos que durem uma semana. A urgência é função do jornal — e há outros para essa missão.

Princípio II

Curadoria com nome

Cada texto tem editor responsável, identificado em rodapé. Nada é publicado anonimamente. A responsabilidade é o que dá densidade ao texto.

Princípio III

Pagamos quem escreve

Toda colaboração é remunerada conforme tabela pública. Mantemos o cachê em vista para que o trabalho intelectual continue sustentado.

Princípio IV

Leitura crítica em duas etapas

Antes de publicar, cada peça passa por leitura interna e por uma leitora externa convidada. Discordâncias são incorporadas ao texto, não escondidas.

Princípio V

Arquivo é texto também

Tratamos a recuperação de manuscritos, cartas e documentos como trabalho editorial em pé de igualdade com os ensaios. O passado também precisa de leitora.

Princípio VI

Sem ranking, sem urgência manufaturada

Não temos seção de "mais lidos". Não usamos contagem regressiva. Não convertemos leitura em ansiedade — esse não é o nosso ofício.

Princípio VII

Erro corrigido em público

Toda errata aparece junto ao texto, com data e justificativa. Não apagamos passagens nem reescrevemos história. A correção é parte do trabalho.

Princípio VIII

Cuidamos da forma

Tipografia, espaço em branco, atribuição de imagens — tudo importa. Acreditamos que a forma do texto é parte do que ele diz.

As mãos por trás do acervo.

Cinco pessoas dedicadas, em tempo integral, a uma cadência editorial pequena. Cada uma cuida de um quarto da casa.

Retrato editorial de Helena Vasconcellos junto a uma estante

Helena Vasconcellos

Editora-chefe · Filosofia política

Escreveu para a Folha, foi pesquisadora visitante em Coimbra. Mestre em filosofia política pela USP. Defende a leitura lenta como prática civil.

Retrato editorial de Rafael Quirino em uma sala de leitura

Rafael Quirino

Editor · Letras & crítica

Tradutor de poesia portuguesa contemporânea. Doutor em literatura brasileira pela UFRJ. Conduz as conversas longas com escritoras e escritores.

Retrato editorial de Mariana Folhain em fundo de biblioteca

Mariana Folhain

Editora · História & arquivo

Historiadora pela Unicamp, ex-curadora do Acervo Mário de Andrade. Trabalha com correspondências, manuscritos e documentos cedidos por famílias.

Retrato editorial de Joaquim Berlinski em ateliê tipográfico

Joaquim Berlinski

Diretor de arte · Tipografia

Designer de livros há quinze anos. Cuida da tipografia da casa, da identidade visual e da relação com fotógrafas e ilustradoras convidadas.